felicidade é…

17 jan

Numa segunda-feira, a felicidade está nas pequenas coisas.

Pegar um ônibus com ar condicionado.
Sem trânsito.
Um motorista educado e cortês.

E o diabo? O diabo está nos detalhes.

Ter que descer do ônibus porque “o cheiro de queimado tá muito forte ali na frente”.
Entrar no próximo – cheio e sem ar condicionado.
Atrasar-se para o trabalho.

Fim.

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de maquilagy a gente tem que entender

11 nov

Coordenação motora nunca foi a minha.

Quando criança, era minha irmã quem gastava os dedos nos joysticks enquanto eu botava a cabeça pra funcionar e dava os bizus de onde ir e o que fazer, nos games que eram mais “cerebrais” que animalescos (Coitada, minha irmã é uma pessoa inteligente, ao contrário do que a frase anterior te faria inferir. Mas era eu a que sempre dizia a ordem certa no Tesoura, Pedra e Papel, na hora do vamos ver do Alex Kidd).

Até hoje, meu apelido carinhoso em casa é “Mão de pá”, por causa da graça e da delicadeza que imprimo a cada gesto – especialmente na hora do jantar.

Enfim, deu pra entender?

Não sei tocar nenhum instrumento musical, nunca fui boa desenhista, muito menos boa pintora. E tudo isso fez crescer em mim, desde muito pequena, a certeza de que seria trevas qualquer tentativa de automaquiagem.

Sou uma menina, afinal de contas. Tenho olheiras. Em ocasiões especiais,apelo pra ajuda das amigas hábeis (da Gigi, na maioria das vezes). Funciona, fica lindo (ou fico linda?). Mas lá no fundo a sensação de fracasso apita. “Por que não sou capaz de me automaquiar? O que tenho eu de errado?”

to lymda?

Resolvi encarar esse medo. Vou fazer um curso de automaquiagem.
E digo mais: vou fazer isso aparecendo numa vitrine de shopping, tá bom pra você?

Perto do trabalho, há uma Contém 1g. E nela, um curso de automaquiagem zzzuper em conta: R$ 100 (com 50 voltando pra necessaire em maquiagem e/ou apetrechos). O peixe urbano dentro de mim diz que é um bom negócio.

vire demonium

Tendo sucesso nessa primeira empreitada contra a falta de jeito, quem sabe não me jogo em outros desafios? Cozinhar, fazer penteados? Tocar guitarra? Cozinhar??

A arte de se manter em pé

8 nov

Uma das características marcantes do transporte público (em especial, o brasileiro) é a superlotação.

Todos os dias nós bonecos precisamos por à prova os princípios da física e desafiar o postulado sobre a impossibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo lugar.

Gente demais significa espaço de menos.
E espaço de menos significa possibilidades astronômicas de alguém se estabacar no chão.

Pensando nisso, uns amigos e eu criamos a TEORIA ANTI-ESTABACO NO TRANSPORTE PÚBLICO, que conjuga no cotidiano dois famosos princípios da física (que você deveria ter aprendido na escola, a propósito): ATRITO e GRAVIDADE.

A teoria foi aperfeiçoada ao longo dos anos e provou-se eficiente: embora alguns de nós já tenham catado cavaca ali e acolá, ninguém chegou ao tombo propriamente dito –  de onde eu venho, isso se chama 100% de aproveitamento.

PARA SE MANTER EM PÉ:

1) entre no coletivo
seja ágil.
o objetivo é evitar aquele solavanco traiçoeiro antes de você encontrar o ponto ótimo de equilíbrio. Motoristas/condutores adoram provocar esse tipo de saída turbulenta justamente pra dar mais emoção à viagem.

2) estabilize-se
A principal razão dos estabacos é a falta de preparo para entrar em movimento junto com o coletivo. É aí que está o segredo: você deve testar e retestar posições corporais enquanto as forças que agem pra movimentar o conjunto coletivo+bonecos ainda não venceram a inércia.

Mantenha os joelhos semi-flexionados, sempre. Isso ajuda na estabilização numa ocasião de freada brusca e ainda evita acidentes com fratura.

Teoria Ilustrada

Deslize as solas dos sapatos no piso de modo a descobrir o tipo de resistência que o solo oferece. O atrito entre a sola do seu sapato e o piso do coletivo é essencial para a manutenção do equilíbrio pessoal. Aí, uma dica importante (que você facilmente derivaria se tivesse aprendido esse troço na escola): quanto maior a superfície de contato, maior será o atrito. Há mais chances de estabaco para bonecas de salto-alto que para bonecos de all-star, ok? Não garanto 100% de eficácia da teoria para salto agulha…

3) compense, sempre que necessário
Você e os bonecos com que compartilha o coletivo são organismos vivos que também tem a possibilidade de conjugar forças e se movimentar de forma independente. Isto é fundamental pro sucesso da teoria: você deve, a todo momento, recalcular e alterar sua posição de acordo com a tendência de movimentação do veículo.

Abra ou feche as pernas de modo a encontrar o ponto em que a relação atrito x gravidade anula as forças que estavam doidas pra te jogar no chão. Use a semiflexão dos joelhos para evitar trancos na coluna e mal-jeitos de toda a sorte.

Com as dicas acima, você está mais do que apto(a) a manter sua posição (e sua dignidade) durante o período de uso do transporte público.

* Em casos extremos, as forças externas vencem a conjugação atrito x gravidade.

Nesses casos, não hesite em se agarrar a qualquer coisa – de portas e bancos até mochilas, cabelos e roupas das outras pessoas. Se possível, avalie as melhores possibilidades antes de partir pro abraço, na tentativa de evitar uma queda coletiva. Depois de a situação ter se estabilizado, peça desculpas e agradeça o suporte e o apoio concedido. Na primeira possibilidade, troque de vagão/posição no coletivo – afinal, um raio pode sim cair duas vezes num mesmo lugar.

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